quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Prêmio Arte Paraná - Quarta Edição

A Céu Vermelho e a Cia. do Abração vão dar um grande abraço de ARTE no Paraná nos meses de agosto e setembro!

A Céu Vermelho, em parceria com a Cia. do Abração, reconhecida companhia teatral de Curitiba, através do Edital Prêmio Arte Paraná - Quarta Edição, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura do Paraná, apresentará o espetáculo PELAS MÃOS DE MARIA OU AS VOZES DE SIMONE, direcionado ao público de jovens e adultos, nas cidades de: Arapoti e Wenceslau Braz (agosto) e Pontal do Paraná e Quatro Barras (setembro).

O espetáculo narra uma passagem fictícia, em plena ditadura militar, nos anos 70, numa pequena cidade do interior brasileiro, onde algumas mulheres recebem uma estranha encomenda do quartel militar: costurar e bordar uma bandeira brasileira para ser exibida na parada do dia seguinte. São mulheres simples: Maria da Fé, Maria da Vida e Maria da Terra.  A encomenda tem caráter de urgência e elas têm apenas uma madrugada para executar o serviço. A bandeira deverá ser entregue logo pela manhã do dia seguinte.





segunda-feira, 7 de maio de 2018

Eu? Feminina?

A minha mãe era forte como o céu em dias de tempestade! E eu sou apenas uma menina! Mas ela sempre dizia: Fé Menina! Eu? Feminina? Ela, minha mãe, costurava as palavras como fazia com seus retalhos de tecido. Era devota de Maria. Maria! Maria! Maria! Chamava as mulheres lá da vila, todas de Maria. Ô Dona Maria da Graça, como é que vai a Senhora? Dona Maria da Luz, ilumina nossos caminhos! Maria Inês, só nas letras e nos estudos!? Dona Maria dos Passos, Maria, Maria! Todas as mulheres eram Marias! Oh meu Pai! O que é que eu fui lembrar! O Senhor é convosco, bendita sua voz entre as mulheres costureiras! Não é que o homem ordenou uma nova costura? O bendito fruto do ventre do país! Santa Maria mãe Deus, eu to é pagando os meus pecados. Amém! Amém! AMEM! Ah, Maria... se vocês não fossem as Marias da minha vida, não sei se amaria tanto. E agora vamos trabalhar, costurar tudo e qualquer coisa! Costurar até o tal do bendito é o fruto.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Oração



O prazer, o prazer, meu Senhor
É abrir as mãos e deixar escorrer, tudo o que estava preso.
Tudo que se queria prender.

E o sobressalto!
O espírito de assalto!
O prazer de abrir as mãos e o coração
E não perder nada com isso.

E o susto: Acordar!
Porque não há perigo no coração livre!

E é no entregar-se que está o prazer.
O perigo gostoso de ser.
Segurança estranha que precisa se gastar.

Pois gastar a vida é viver.
E viver é prazer!

sábado, 9 de setembro de 2017

Prêmio Arte Paraná

As vozes de Simone ressoarão por 04 cidades premiadas pelo projeto Prêmio Arte Paraná realizado através da Secretaria do Estado da Cultura do Paraná. Estamos ansiosos por levar a arte das Mãos de Maria executadas com muita resistência e amor pelo que se faz.

A importância do edital Prêmio Arte Paraná se faz presente no estado em um momento em que nosso público necessita da resistência enquanto cidadãos, enquanto indivíduos que se fazem fortes em sua totalidade. Dessa forma acreditamentos dar sentido ao nosso fazer teatral da Companhia do Abração.

Inspirados pela força de um país que respira o embate político e suas peripécias apresentaremos o espetáculo Pelas Mãos de Maria ou As Vozes de Simone, um ato de bravura para explanar o que nossas vozes têm a dizer.

Seguem as datas:







sábado, 13 de maio de 2017

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

In memoriam

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            Meio alheia ao mundo real, anestesiada das questões superficiais do dia-a-dia, vivo uma dor intensa esses últimos dias. Faltando vontade para fazer tantas coisas, tive vontade de fazer a oficina de dança da Marisol, que no passado me trouxe tantas experiências positivas, aprendizados, e fez sentir-me bem, acima de tudo. Buscava isso novamente.
            Cheguei à sede da Cia. do Abração bem na hora de início da oficina. Havia ido, pela manhã, assistir ao início do processo de cremação do corpo do meu irmão recentemente falecido. Ao chegar na sede, a porta estava aberta, mas o ambiente vazio. Estranhei. A porta nunca fica aberta se ninguém está ali. Logo senti um certo peso da ausência. Fechei a porta. Mas em seguida apareceram algumas pessoas que estavam trabalhando lá atrás, estavam transitando pela porta num entra e sai de materiais, por isso ela estava aberta. Encontrei um colega e ele me indicou que a oficina já havia começado. Fui lá.
            Marisol, como já temos uma relação de amizade, me recebeu com um abraço e me convidou a participar da oficina. Senti de cara minha ferrugem. O grupo já estava na ativa (haviam, ainda, voltado à prática no dia anterior). Percebi que precisaria me soltar rápido e busquei, na memória de meu corpo, algum resquício dos exercícios praticados no passado.
            Houve uma predisposição mais imediata, a memória estava lá. Mas senti as barreiras que a falta de prática havia reconstruído e busquei trabalhar diretamente nelas.
            A dor e o atraso me colocaram num estado mental de busca de entrega total, varrendo longe as preocupações que ameaçavam surgir. Logo tivemos uma dança compartilhada, que é um grande desafio para mim, integrar meu movimento com o de outrem (a busca por dialogar e manter-me fiel à mim, abrir-me ao outro sem dissolver-me por completo); e, estando nesse estado de entrega, tive a sensação de sucesso, livre de grandes críticas internas (que são recorrentes).  Essa sensação me fortaleceu para encarar de frente os próximos exercícios.
            Logo fomos a um momento de relaxamento. Eu estava querendo muito ele, por não ter feito no início (já que cheguei e a oficina já havia começado, foi adiantada em meia hora e não fiquei sabendo a tempo) e também por achar que necessitava dadas todas as tensões vividas nos últimos dias.
            O exercício consistia em soltar o peso do corpo no chão, deitada de barriga pra cima, e ir soltando-se cada vez mais, livrando as tensões de todas as partes do corpo. Para chegar nisso, Marisol utilizou da metáfora de que, a cada respiração, quando expirássemos era como se a pele se derretesse e envolvesse, solta, o músculo. Foi nesse momento que, feito os cálculos, me conectei diretamente com o corpo do meu irmão, que se encontrava na câmara de fogo do crematório. Ele entrou lá por volta das 11:30, sendo que fui eu quem apertou o botão que dava início ao processo. Neste momento, na oficina, era por volta das 2:30. O corpo leva entre 4h/4:30h para se desintegrar por completo. Primeiro queima a madeira do caixão, depois a roupa, aí começa a queimar o corpo, sendo que por último são os ossos. Naquele momento, em que minha pele derretia no chão, era o momento que a pele de meu irmão estaria derretendo dentro da câmara. E assim toda a materialidade dele cessaria de existir, para sempre. Quando entrei nesse pensamento, foi difícil me concentrar nos direcionamentos de Marisol. Eu estava lá dentro na câmara. Agarrada ao corpo de meu irmão. Nada faz mais sentido do que eu sentir que queimava junto com ele. Metade, se não mais, de quem eu sou vem dele. Eu estava queimando também. E derretendo junto.
            Tentei dar conta das lágrimas que escorriam e do soluço que queria manifestar-se. Demorou um tempo até que eu conseguisse me acalmar internamente e voltar a atenção à voz de Marisol. Ela estava dando a orientação de que estávamos deitados sob uma rede imensa e suspensa, talvez ligada à árvores ou nuvens. Me vi de imediato no universo estrelado, balançando na rede. No universo quântico que meu irmão habitava, e que eu acreditava que ele estaria habitando agora que se desmaterializou. Lá, ele me embalava, quase telepaticamente, ou apenas observava a minha presença ali. Aos poucos, a rede onde eu estava foi se aproximando da terra e, como uma folha, pousou suave. Pronto. Eu estava na realidade novamente; sozinha, e serena.
            Nos demais exercícios, consegui sentir as partes de meu corpo suavizadas e levíssimas. E deixei que os movimentos da minha dança fossem embaladas pela minha dor, deixando assim que ela se manifestasse para além de dentro de mim.
            Foi intenso. Muito intenso. Tanto que, ao fim da oficina, não consegui compartilhar com o grupo o que havia sentido, pois sabia que a partilha se tornaria um pranto. Tentei falar diretamente para Marisol e, claro, desabei a chorar, e ela me acolheu num abraço. Lhe contei pelo que passei, e ela me confortou. Achei digno dela saber as experiência que havia me propiciado, e juntas percebemos a dimensão de aprofundamento e libertação que tive.
            Mais uma vez, obrigada Marisol. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O prazer meu senhor é abrir as mãos e coração

Um dia eu escolhi ser a Maria da Terra,
uma mulher com os pés bem fincados no chão
e enraizados na sua verdade.

Uma mão forte e abençoada veio surgindo, 
como se fosse realmente abençoada por Tata Maria Miquica, ou Vó Miquica,
ou simplesmente uma mão para abençoar cada ensaio, cada momento de criação.

Nesse clima de humildade entre grandes mestres, Leticia e Edson,
estou tendo a honra de aprender e apreender o que posso.
Tenho orgulho de estar fazendo parte desta história
e de poder colocar um dedinho nisso tudo.


obrigada!